- Com esta série não é pretendido fazer história, mas sim é visado, ao lado das imagens, que poderão ser úteis aos leitores, a sintetizar em seus acontecimentos principais a vida da antiga Vila dos Pescadores e da Cidade de Porto Alegre inserida na História.

Não se despreza documentos oficiais ou fontes fidedignas para garantir a credibilidade; o que hoje é uma verdade amanhã pode ser contestado.

A busca por fatos, dados, informações, a pesquisa, reconhecer a qualidade no esforço e trabalho de terceiros, transformam o resultado em um caminho instigante e incansável na busca pela História.

Dividir estas informações e aceitar as críticas é uma dádiva para o pesquisador.Este blog esta sempre em crescimento entre o Jornalismo, Causos e a História.Haverá provavelmente falhas e omissões, naturais num trabalho tão restrito.

Qualquer texto, informação, imagem colocada indevidamente, dúvida ou inconsistência na informação, por favor, comunique, e, aproveito para pedir desculpas pela omissão ou inconvenientes.

(Consulte a relação bibliográfica e iconográfica)

Poderá demorar um pouquinho para baixar, mas vale à pena.

vilaguaiba@gmail.com

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Vila dos Pescadores - Resgate Histórico

Villa Guayba
Antiga Vila dos Pescadores
Herança Açoriana
Desde 1941
Uma parte da história de Porto Alegre passou por aqui:
A Vida
Por terra ou por água, como história:
A fauna e flora
As águas da fonte colossal do Guaíba
O lago do Viamão
Os caçadores/ coletores Nômades
Os antepassados Índios da nação Tupi-Guarani
O sesmeiro Dionísio Rodrigues Mendes
Os Açorianos
O denominador do arraial - José Guimarães Tristeza
Pelo Guaíba o imperador Dom Pedro I
Os Farroupilhas
O General Bento Gonçalves
Pelo Guaíba a Frota Farroupilha
A Armada Imperial
O presidente da Província o Barão de Caxias (futuro Duque)
Pelo Guaíba SS.MM. Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina
O senhor da Ponta do Dionísio - José Assunção
O descarte da cidade no aterro sanitário
Pelo Guaíba Princesa Imperial Isabel e seu esposo Conde D’Eu
O Trem da Zona Sul
As Pedras da Pedreira na futura Vila dos Pescadores
Arquiteto da Cidade Theo Wiederspahn e seu irmão Henrique
A festiva presença do senador Pinheiro Machado na Tristeza
A pedreira que fez o cais do Porto de Porto Alegre
Pelo Guaíba a visita do Presidente da República Washington Luis
O hidroavião da Varig
Do balneário nasceu a Villa Assunção
Pelo Guaíba Presidente da República Getúlio Vargas
A Grande Enchente - 1941
O novo início dos pescadores pelas mãos do Intendente Loureiro da Silva
Nasce a Vila dos Pescadores - 1941
A pesca e a fartura do Guaíba
Na Vila dos Pescadores o serviço de balsas do DAER para travessia do Guaíba
A Estação dos Bombeiros
O famoso Bacalhau da Vila dos Pescadores
Atriz Carmem Silva, moradora da Vila Assunção,
O Campo de Futebol da Pedreira na Vila dos Pescadores
Os clubes náuticos
A presença do freguês Lupicínio Rodrigues
Ditadura - os presos políticos para a Ilha do Presídio
O grande vizinho - Condomínio Residencial Poente do Guaíba
União e fundação da Associação Comunitária da Vila dos Pescadores
Inauguração da sede da Associação de Moradores
A padroeira - Nossa Senhora dos Navegantes
Cosntrução da Capela Nossa Senhora dos Navegantes
Construção do Salão Paroquial
A conquista da Escola de Educação Infantil - ABENSA
Desenvolvimento
Presidenta da República Dilma Roussef, moradora da Vila Assunção
O Pôr-do-Sol, os Ventos, a Chuva, e,
Muitos outros fatos e personagens...
Da Vila dos Pescadores,
- Hoje se vive a Villa Guayba.

Resgate Histórico
Villa Guayba - 73 Anos (1941-2014)

- Grandes acontecimentos e personalidades já passaram pela Ponta do Dionísio no Morro do Cristal por Terra, pelas Pedras, pelas Águas do Guaíba:

Nossa Vida passa pelo Guaíba
“A Cultura das Águas e dos Ventos”

Os vários nomes da nossa Antiga Capital:
Porto do Viamão
(por volta de 1730)
Porto d’Ornellas (Dorneles)
(por volta 1740)
Povoado do Porto dos Casais
(por volta de 1752)
Freguesia de São Francisco das Chagas do Porto dos Casais
(1772)
Freguesia de Nossa Senhora Madre de Deus de Porto Alegre
(1773)
Villa de Nossa Senhora Madre de Deus de Porto Alegre
(1 ano após a vinda da Família Real Portuguesa ao Brasil - 1809)
Cidade de Porto Alegre
(após a Independência do Brasil e no Império a partir de 1822, e depois na República a partir de 1889)

- As águas tranqüilas do Guaíba deram as boas-vindas a todos. E as misturas, que em outras geografias tornaram-se explosivas, aqui renderam uma cultura única, múltipla, em que se mesclam os sabores gastronômicos, hábitos e crenças com muita tradição: - a democracia e a cidadania exercidas dia a dia, incorporadas à qualidade de vida e ao modo de ser porto-alegrense.
A antiga Vila dos Pescadores, atual Villa Guayba é Porto Alegre e quer recebê-lo:

Bem Vindo

Villa Guayba – Bairro Assunção – Zona Sul – CEP: 91900-410

Lançando Idéias
Pescando Soluções

Muito se tem escrito sobre a história de Porto Alegre. Mas é inegável que ainda somos carentes de obras mais abrangentes sobre a formação e evolução das comunidades, da cidade, do pitoresco, em seus aspectos sociais, urbanísticos, políticos e econômicos. A carência é ainda maior quando se trata de trabalho de difusão do conhecimento histórico, que transcendem os meios acadêmicos para alcançar camadas mais amplas da população, principalmente às novas gerações.
Esta é a razão principal que a Comunidade da antiga Vila dos Pescadores se sente orgulhosa em viabilizar esta série, a par de uma linguagem popular e de abordagem sintética, onde traça um painel completo do desenvolvimento da nossa região, hoje situada e divulgada pela imprensa como a que proporciona aos seus moradores capacitação, estrutura e a busca de uma melhor qualidade de vida.
Um dos princípios que orientam as ações da Comunidade da Villa Guayba é o compromisso com a Qualidade de Vida, com a melhoria do Bem-Estar e das condições econômicas dos moradores.
Conhecer a própria história é pressuposto básico para a cidadania, tem hoje no dado cultural um dos seus indicadores mais importantes.
Em 2011, a Villa Guayba, antiga Villa dos Pescadores, completou 70 anos de fundação.
Acreditamos que este trabalho de resgate é um presente à altura da trajetória dos fundadores que aqui fincaram raiz pela civilidade e pela preocupação com a Cultura e preservação do Meio Ambiente do Morro do Cristal na Ponta do Dionísio de tantas histórias.
(conforme planta incompleta da Cidade de Porto Alegre C.F.E.P., compilada e desenhada por F. Bellanca, 1932).

A relevância das condições da natureza que atuam nas atividades pesqueiras e que constituem o espaço do pescador, mesmo que não sejam completamente determinantes em formar um conjunto de processos que influenciam as relações entre homem e natureza.
A comunidade foi formada ao longo dos anos com a vinda de pessoas de diferentes regiões da cidade, inicialmente por moradores da Ilha da Pintada, trazido à força pela impiedade das águas da Enchente de 1941. Por essa característica, a Vila dos Pescadores já nasce com sinais diferenciados, presentes na forma de vida dos fundadores, constituídos na sua relação com o Lago Guaíba, com a pesca, com o caíque, com a rede, com a solidariedade.
A tradição presente na antiga Vila dos Pescadores faz parte da constituição da paisagem do Guaíba e do espaço urbano de Porto Alegre.

A disputa pelo espaço (Limonad, 1999) fica clara aos nos depararmos com as diferenças e contrastes da Vila dos Pescadores com relação à Vila Assunção ou mais próximo o Condomínio Residencial Poente do Guaíba, as características que vamos chamar “burguesas” com as virtudes paisagísticas para a cidade de Porto Alegre, vislumbra-se a Vila dos Pescadores como um incômodo bloqueio, sem estética, na visão da bela paisagem do Guaíba e de seu pôr-do-sol.

Ignora-se pelo capital, um passado histórico que remonta as tradições lusitanas e a cultura da pesca na cidade desde seu início e que ainda se encontra permeado nas atividades e lembranças de seus moradores.

DECISÃO
"Entidades e Colaboradores atuantes na Villa Guayba"

Associação Comunitária dos Pescadores da Vila Guaíba – AGua
Casa do Pescador                      
Fundada em 08 de novembro de 1980
Avenida Guaíba, nº 26
Villa Guayba

Grupo dos Pescadores da Vitória
Casa das Pescadoras
Fundada em 2010
Avenida Guaíba, nº 48
Villa Guayba

O “Grupo dos Pescadores da Vitória” realiza semanalmente no salão paroquial da Capela N. S. dos Navegantes, na Casa das Pescadoras, reuniões de pauta e diversas manifestações sociais e culturais.

Associação Beneficente Nossa Senhora da Assunção - ABENSA
Fundada em
(com atuação na Villa Guayba, Vila dos Sargentos e Vila Assunção)
Praça José Assunção
Vila Assunção

Condomínio Residencial Poente do Guaíba
Inaugurado: 1978
Avenida Guaíba nº 3500, 3550
Vila Assunção

Grupo de Escoteiros do Mar – Passo da Pátria
Avenida Guaíba, nº 4327
Vila Assunção

PESSOAS QUE FAZEM

Pessoas que contribuem com enriquecimento da Humanidade, Amizade,Civismo.

- São pessoas, são nomes simples diretos e objetivos, chamados, comprometidos com o dia a dia de sua comunidade.

Isto se chama, Responsabilidade.

Dirce - Sra. Presidente da Associação de Moradores
Pedro
Neca
Cláudio
Iara
Gelson
Terezinha
Solange
Beto
Helena
Adão
Mara
Todos os dias novos nomes se agregam, -Chame-os.

AÇÕES

As Entidades oferecem aos seus Moradores:
- Biblioteca
- Cursos de Capacitação e Cidadania
- Espaço de Informática
- Capoeira
- Orientação Médica
- Orientação Jurídica
- Clube de Literatura e Poesia
- Palestras
- Salão de Festas
- Outras atividades culturais com oficineiros da SMC

- Grupo do Terço - as terças-feiras - 20:00 hrs, senhoras da comunidade se reúnem semanalmente para rezar o Terço na Capela de N. S. dos Navegantes.

- É objetivo a formação de grupo da Melhor Idade, Coro e Acolhimento Festivo para a terceira idade.

Ponta do Dionísio

LEIA SUA HISTÓRIA
- As inserções estão divididas por períodos cronológicos, pesquise pelo período desejado:
ResumoCronológico
Vila dos Pescadores inserida na história
Ilha dos Jangadeiros

Histórico

- Muitos fatos estão encravados nas rochas, na terra, nas enseadas da antiga Vila dos Pescadores(atual Villa Guayba), pois a história passa, mas as marcas permanecem.
Siga os caminhos da história dos antepassados ao nossos dias.

Área do antigo Estaleiro Só na Ponta do Mello e atual Barra Shopping

Antepassados da Região.

 -Caçadores nômades foram os primeiros homens a deixar sinais de sua passagem pela orla do Guaíba, há pelo menos três mil anos. Depois, bem mais tarde, vieram os guerreiros da tradição Tupi-Guarani, que sofreram a tragédia do contato com o europeu.
Estas tribos migraram por problemas ecológicos ou de superpopulação, mas sempre em busca da “Terra sem Males” de sua mitologia.
Vieram invadindo tudo, com seus tacapes, lanças e flechas, apavorando seus inimigos com sues rituais antropofágicos.
Chegaram às margens do Guaíba entre os séculos IX e X, foram estes os primeiros povos a se fixar na região de Porto Alegre, construíram suas choupanas coletivas e ovais. Pescavam no Guaíba ou nos Riachos, exercitavam suas habilidades da caça, abatendo, capivaras, veados, preás, ouriço e outros exemplares da riquíssima fauna local. Participavam da coleta de moluscos, raízes e folhas.
Os Guaranis habitaram todos os atuais bairros de Porto Alegre, em tempo diferentes, das várzeas do Gravataí a zona ao norte (atual Passo d’Areia), ilhas do Delta, as praias da Tristeza, Ipanema, Belém Novo e Lamí, até cruzara divisa com Viamão.
A maior tragédia no território de passagem junto ao Guaíba, fronteira de diferentes culturas indígenas, mais que suas próprias lutas e conflitos entre as tribos foram à chegada dos europeus. Eles chegaram com diferentes intenções:
- Primeiro, vieram os exploradores, sedentos de ouro e prata.
- Em seguida os religiosos, que queriam converter os povos indígenas as cristianismo.
- Por fim os caçadores de escravos.
Poucos se aventuravam a subir os rios de São Pedro (nome dados ao conjunto Lagoa dos Patos, Lago Guaíba e Rio Jacuí), e, na esquina do grande Delta nascerá Porto Alegre.
Houve a dispersão dos povos indígenas da faixa litorânea ou o extermínio em massa provocado por epidemias de doenças trazidas pelos brancos entre e 1500 a 1660.
Os Bandeirantes completaram a obra de dizimar populações em busca de mão de obra cativa e pelos portugueses compradores de escravos. Era tática dos portugueses jogar uma tribo contra outra como haviam feito na África e esperar que os vitoriosos trouxessem os capturados para trocar por mercadorias.
- Temos hoje em dia, muito que credenciar a cultura Guarani.
- Na alimentação, o abacaxi, o feijão (todos), o amendoim, a abóbora, a moranga, os pimentões, pimenta e pimentinhas, a mandioca (que nós chamamos de aipim), e o milho, que a Europa só foi conhecer depois do descobrimento, que aqui já era cozido e assado.
- O poder curativo das plantas medicinais, a boleadeira, da lide dos gaúchos e a tira de pano na testa.
- O chimarrão sorvido da erva forte e servido em porongos e a rede de dormir (para ficar acima do chão, pelos perigos da mata) também vieram com os nossos antepassados guaranis.
- A própria cultura do fumo e o uso do cachimbo foram trazidos para o Sul pelos Guaranis.
- Presença dos Guaranis na região de Porto Alegre é sugerida por uma “Lenda da Índia Obiricí” que morreu por amor fazendo surgir um riacho com suas lágrimas, que deu nome ao atual Viaduto Obiricí e ao belo monumento em sua homenagem, feita pelo escultor Mário Arjonas no bairro Passo da Areia, na Zona Norte, na conhecida Volta do Guerino.

Outras narrativas.

A Lenda da bela Obirici

- Conta-se que a bela índia Obirici, filha do cacique dos Tapi-Mirins, e sua amiga Iurá se apaixonaram pelo mesmo homem, Arakém, filho do chefe dos Tapi-Guaçus.
Arakém gostava das duas, alias namorava ambas.
Embora ponderasse que deveria ser a escolhida, por ser filha do cacique, como ele, Obirici não tomava uma atitude mais forte por não querer magoar a amiga Iurá.
Arakém sugere uma solução.
Já que eram exímias no arco, elas disputariam seu amor arremessando flechas em um alvo determinado. Apesar de mais habilidosa que Iurá, Obirici perdeu o duelo por não conseguir conter sua tensão.
Iurá parte com Arakém, e Obirici com sua dor fica a chorar.
Chora aos deuses que transformam as lágrimas que escorrem por seu corpo e atravessam à areia formando um riacho – o Ibicuiretã.
A tristeza de amor de Obiciri é recompensada.

- Este curso d’água (atual Arroio Passo d’Areia) atravessa o bairro Passo da Areia (Zona Norte) e deságua no Rio Gravatay.

O Banquete
- De todos os costumes considerados bárbaros que professavam os índios brasileiros quando da chegada dos colonizadores ao Novo Mundo. Nenhum se revelou mais espantoso ao olhar europeu do que a antropofagia.
Mesmo conhecido na Europa a antropofagia, nada se comparava ao requinte do “banquete antropofágico” realizado por quase todos os Tupis e Tapuias.
A morte ritualizada e a deglutição dos cativos representavam o ponto culminante da cerimônia.

Índios Tupinambá
Nota:
- Durante as reduções jesuíticas (Missões) os padres contrariados com o hábito de consumir carne crua pelos guaranis, os ensinam a colocar a carne na fogueira e assim nasce também nossa maior tradição gastronômica o “Churrasco”.

Séculos XVII e XVIII

Villa Guayba Inserida na História


Século XVII.

1680
O início, no Sul

América Espanhola

- Do Descobrimento no ano de 1500 até este momento a região de Santos (SP) até a foz do Rio da Prata (atual Uruguai), por quase dois séculos foi deixado em quase total estado de abandono pelos conquistadores, tanto Portugal quanto Espanha.
Agora inicia-se os conflitos armados e diplomáticos pela Província Oriental do Rio da Prata (atual Rio Grande do Sul e Uruguai).


A ocupação do Rio Grande do Sul foi tardia em relação ao Brasil.

Em 20 de janeiro de 1680, na América, do lado oriental do Rio da Prata, para estenderem suas posses muito além da linha do Tratado de Tordesilhas (entre Portugal e Espanha), e proteção das fronteiras, é criada por Dom Manuel Lobo, governador do Rio de Janeiro uma colônia fortificada na pequena ilhota chamada de São Gabriel, surgia a Colônia do Santíssimo Sacramento (atual Uruguai) na margem esquerda do rio da Prata, de frente para Buenos Aires (1580), espanhola, com objetivo de expansão militar lusa (portuguesa) e de contrabando no rio da Prata. Este povoado fundado por portugueses e dominado por espanhóis está ligado à história da Argentina, Uruguai, Paraguai e do Sul do Brasil, é a capital histórica do MERCOSUL.


- A nova fortaleza é atacada pelo governador espanhol de Buenos Aires D. José de Garro junto a três mil índios missioneiros em seu exército, que captura Manuel Lobo, governado português, que morreria pouco depois no cativeiro.

- Portugal queria conquistar e colonizar terras com o marco indefinido, pois suas terras terminavam em Laguna. Foram 97 anos de lutas diplomáticas e guerras abertas pela fixação da fronteiras.
O palco no qual vai se desenvolver nossa história está vazio quando chegam os primeiros colonizadores europeus, no início do século XVIII.
Os Guaranis não possuem mais aldeias estabelecidas nos Campos de Viamão (área entre o a Lagoa de Viamão (Guaíba) e o Rio Tramanday), pois estas tribos já haviam subido o Rio Jacuy e a encosta do Planalto, fugindo dos caçadores de escravos.
Conforme Leonardo Truda (1928):
“...o choque de predador contra predador, de contrabandista contra contrabandista, de colono contra colono na zona indecisa de fronteiras se transfere para o campo diplomático e militar, agita as chancelarias, move os exércitos e dá origem às guerras platinas.”

- A situação de guerras e conflitos armados e tratados se prolongaria por cerca de 120 anos, com avanços e retrocessos das linhas demarcatórias, entre Portugal e Espanha. Toda a atenção está voltada para o Rio da Prata e os territórios orientais da Capitania de Santana.

Em 1682, na América, na Província de Tape, lado espanhol do atual Rio Grande do Sul, para deter o avanço lusitano (português) na região em direção ao rio da Prata, os espanhóis determinaram a fundação dos Sete Povos das Missões pelos padres Jesuítas da Companhia de Jesus, restauraram São Nicolau e fundaram São Borja, São Luis Gonzaga, São Miguel, São Lourenço e São João Batista, a margem esquerda do rio Uruguai, este aldeamento foi mais pujante e dramática que a primeira em 1626.
As Missões Guaranis foram o berço do progresso nesta região, havia:
- Fundição de ferro, obras arquitetônicas, esculturas, partituras, instrumentos musicais, experimentos agrícolas, estâncias, curtumes, pomares, ervais, vinhedos – tudo floresceu nas reduções (missões).
Como teria dito o guarani Sepé Tiarajú:
“Esta terra tem dono.”


Em 1684, no Brasil, para apoiar militarmente a Colônia de Sacramento é fundado povoado de Santo Antônio dos Anjos de Laguna (Santa Catarina), na “esquina do Atlântico Sul”, no último porto natural antes que se inicie a temida costa do continente de São Pedro, e inicia sua povoação por Domingos de Brito Peixoto seu filho Francisco Brito Peixoto foi nomeado capitão-mor da região do Rio Grande de São Pedro.

Pai e Filho


Século XVIII.

1710

Em 1714, no Brasil, no Sul, em São Francisco do Sul, norte da Capitania de Santa Catarina, a Câmara apresenta uma petição ao emissário do Governo do Rio de Janeiro sobre a Capitania de Sant’Ana:
- “O Rio Grande é que seria muito conveniente a Sua Majestade o se povoar, em razão dos castelhanos se não adiantem.”

1720

Em 20 de janeiro de 1720, no Brasil, na Capitania de Santa Catarina, se instala oficialmente a Villa de Laguna.


Entre 1715 e 1724, no Brasil, na Capitania de Santa Catarina, Laguna, os lagunistas fizeram sucessivas incursões pelo atual território gaúcho; exploraram a região do Rio Tramandaí e a Serra do Botucaraí, em busca de ouro e pedras preciosas, sem sucesso.
Penetraram a região das Missões, onde descobriram os ervais dos Jesuítas que viviam do lado espanhol do continente.

- Foi encontrada por todas as partes, no Pampa, a riqueza que será a base e a razão da conquista da terra gaúcha:
- O gado selvagem, depois da destruição das primeiras Reduções (Missões) Jesuítas, criou-se solto nos campos por quase 40 anos – “xucro ou chimarrão”.
Começa assim o período da história com o nome de “curralismo”.

Localização das estâncias de gado

Curralismo
- Gado arrebanhado (preso, cercado), sobretudo do Uruguai, descansava em invernadas, no longo caminho até Laguna.


Em outubro de 1725, no Brasil, no Sul Meridional, chega à margem norte do canal do Rio Grande de São Pedro a Frota de João de Magalhães, genro de Francisco Brito Peixoto (todos no negócio de gado).
A chamada frota era comporta por duas dúzias de aventureiros, alguns escravos e rezes, seguiu pela orla do desolado litoral até acampar onde hoje fica São José do Norte, é fundado o primeiro núcleo em território da futura Província de São Pedro (Rio Grande do Sul) na margem esquerda da “Barra Diabólica”.
De 1725 a 1729, João de Magalhães se estabeleceu com destacamento militar ao norte do canal de Rio Grande, para cobrança de pedágio dos tropeiros.

Em 23 de março de 1726, no Brasil, no Sul, na Ilha de Santa Catarina a Freguesia de Nossa Senhora do Desterro é elevada a categoria de Villa, incluindo seus domínios as terras da futura São José da Terra Firme no Continente.

1754

Em 1727, no Brasil, o português Francisco de Mello Palheta, traz sementes de café para plantar no território.


Em 1727, no Brasil, no Sul, Cristovão Pereira, auxiliado por Francisco de Souza Faria, abre a Estrada do Rio da Prata a Capitania das Minas Gerais, passando por Sorocaba na Capitania de São Paulo.


Em 1728, no Brasil, na Capitania de Sant’Ana, João de Magalhães, desbravam a região conhecida como “Campos de Viamão”, território compreendido entre a lagoa de Viamão (Guaíba) e o rio Tramandaí, era um distrito do povoado de Laguna na Capitania de Santa Catarina, um porto de passagem e descanso dos tropeiros com destino a São Paulo.

- A grande invernada natural formada pelos atuais rio Gravataí, Lagoa dos Patos, lago Guaíba e rio Capivari já estavam ocupadas por grande quantidade de gado e nele se encontravam arranchados João de Magalhães e os que a ele se vieram reunir, onde fixou residência e requereu sesmaria que lhe foi concedida 27 anos depois em 1755 pelo governador Gomes Freire de Andrade, confirmada pelo Rei de Portugal cinco anos depois da concessão.

Em 11 de fevereiro de 1728, no Brasil, no Sul, Francisco de Souza Faria inicia a abertura do Caminho dos Conventos (entre Laguna e Lages) na Capitania de Santa Catarina, primeira ligação com os Campos de Curitiba, desviando as tropas de Laguna.

- Os primeiros europeus de origem “Portuguesa” e seus descendentes se estabeleceram na área que forma o atual município de Porto Alegre, eram liderados de João de Magalhães, eram eles: - Sebastião Francisco Chaves, Dionísio Rodrigues Mendes, Sebastião Francisco Peixoto, Sebastião Pacheco, Agostinho Guterres, Clemente Francisco Manuel e Manuel Abreu dos Santos que solicitaram mais tarde sesmaria.

- Assim é iniciado o povoamento de Viamão e do Porto de Viamão (atual Porto Alegre). A estrutura de uma sociedade pecuarista e militarizada, orientada pelos “valores guerreiros, baseada na violência do mando e no exercício irrestrito da autoridade”.



1730

Em 1730, no Brasil, no Continente do Rio Grande, Jerônimo Vasconcelos Menezes de Ornellas, já criava gado nos Campos de Viamão, onde morava com sua esposa Lucrecia Leme Barbosa e quatro filhos.

Jerônimo de Ornellas

Em 1732, no Brasil, no Sul, começou a ocupação efetiva da terra do Rio Grande de São Pedro.


Em 1732, no Brasil, no Sul, está concluída a Estrada do Morro dos Conventos, ligando Lages, Curitiba e Sorocaba, desviando as tropas de Laguna. A nova rota passava pelos divisores de água e possuía melhores pastagens que o litoral.
Os lagunenses procuram se estabelecer ao longo da rota do gado, entre o Rio Mampituba e a Lagoa do Viamão (Guaíba).

Morro dos Conventos - Araranguá - SC

- A fixação definitiva das populações luso-brasileiras ocorreu no século XVIII.
Primeiro os tropeiros levando a mercadoria para os centros consumidores de São Paulo a Região da Prata. Após longas caminhadas, surgiram os currais e, para e defesa do frio, as invernadas.
Vencida a etapa do nomadismo, “estabeleceram as sesmarias”, permanecendo os tropeiros junto à terra generosa do sul.


Sesmaria
- As concessões de terras se faziam por meio de Sesmaria (termo que vem de uma velha instituição portuguesa, uma unidade padrão de medição) que era uma área de terra devoluta, com mais ou menos 3 léguas de comprimento por um de largura, equivalente a 13.068 hectares (ou 18 km  por 6 quilômetros), que deveriam ser imediatamente ocupadas e lavradas. A fim de obter a terra no fim de um prazo de dois anos o requerente deveria provar, através de documento de autoridade, que estava ocupando as terras com lavoura ou criação, escravos, casas, benfeitorias e familiares.
Toda e extensão do território português foi assim, gradualmente, passado às mãos dos proprietários.
Só em 1822, com a Independência do Brasil cessou a concessão de sesmarias. As terras não distribuídas pertenciam a Coroa Portuguesa.

Em 25 de fevereiro de 1732, na Capitania de Santana, é concedida a primeira sesmaria na região para Manoel Gonçalves Ribeiro, na Parada das Conchas, em Tramandaí.

Em 25 de outubro de 1732, no sul do Brasil, é concedida a primeira sesmaria no Território de Sant’Ana (RS) ao coronel Manoel Gonçalves Ribeiro, juiz de Laguna, recebida do governador da Capitania de São Paulo D. Luis Antônio da Távora, Conde de Sardezas, com 3 léguas de comprimento, na Parada das Conchas nos Campos de Tramanday.

- Coube aos “Donatários”, em suas Capitanias, e mais tarde aos “Governadores Régios”, nas Capitanias Reais (que pertenciam a Coroa), distribuir as terras aos colonos. As concessões se fazia por meio de Sesmaria (termo que vem de uma velha instituição portuguesa) que era uma área de terra devoluta, com mais ou menos 3 léguas de comprimento por um de largura (ou 18 km  por 6 quilômetros), que deveriam ser imediatamente ocupadas e lavradas. A fim de obter a terra no fim de um prazo de dois anos o requerente deveria provar, através de documento de autoridade, que estava ocupando as terras com lavoura ou criação, escravos, casas, benfeitorias e familiares.
Toda e extensão do território português foi assim, gradualmente, passado às mãos dos proprietários.
Só com a Independência do Brasil cessou a concessão de sesmarias. As terras não distribuídas pertenciam a Coroa.

- Além do rio Gravataí (na atual Canoas, Sapucaia) se estabeleceu o futuro capitão de dragões Francisco Pinto Bandeira, nascido em 1701, filho de José Pinto Bandeira, casou com Catharina de Brito, uma das filhas naturais de Francisco de Brito Peixoto, teve 8 filhos, o primeiro Rafael Pinto Bandeira, como o pai, iria ter projeção na história e defesa do continente de São Pedro, este governou o Rio Grande e foi o primeiro brasileiro a alcançar o auto posto de “brigadeiro” do Exército Português.

Em 1732, no Brasil, assume terras na “sesmaria de Sant’Ana” nos Campos de Viamão (atual Rio Grande do Sul), junto ao porto natural Jerônimo de Ornellas Meneses e Vasconcellos requereu a área onde futuramente será fundada Porto Alegre, suas terras tinham limites, ao norte da várzea do Gravataí, sul com o Rio Jacareí (atual Arroio Dilúvio), a leste o arroio Feijó, e tinha a sede da sesmaria na região do Morro Santana, outros dizem na Agronomia no caminho a Viamão, veio com sua família 4 filhas e alguns negros escravos.
Junto à foz do rio Jacarey (Riacho) estava o Porto d’Ornellas (atual Dorneles).

Em 1732, no Brasil, começou a ocupação efetiva da terra do Rio Grande de São Pedro.

A partir de 1733, os primeiros europeus e seus descendentes começaram a se estabelecer na área do atual município de Porto Alegre, eram eles: - Jerônimo de Ornellas Meneses e Vasconcellos, Sebastião Francisco Chaves e Dionísio Rodrigues Mendes.

- Jerônimo de Ornellas Meneses e Vasconcellos, tinha suas terras que iam da várzea do Gravataí ao Rio Jacareí (atual Arroio Dilúvio) e tinha a sede da sesmaria na região do Morro Santana.
- Sebastião Chaves Barcelos se estabeleceu ao Sul do Rio Jacareí e sua sede na atual gruta da Glória.
- Dionísio Rodrigues Mendes estabeleceu a sede da sesmaria no local onde se formaria mais tarde o bairro Belém Velho.

Em 1733, no Sul do Brasil, após concedida a primeira sesmaria em Tramandaí, alguns tropeiros começaram a solicitar terras nos Campos de Viamão (região entre Porto Alegre e o rio Tramandaí), com as concessões das primeiras sesmarias, legitima-se a posse e as invernadas se transformam em estâncias.
É o início da radicalização das famílias – algumas delas perto do que seria hoje Porto Alegre.

Nas Terras da Vila dos Pescadores
Em 1735, no sul do Brasil, na região do Porto de Viamão, o português Dionísio Rodrigues Mendes, pediu a posse de 13.068 hectares de terras, que formou a “sesmaria de São Gonçalo”, depois Estância São Gonçalo nos Campos de Viamão junto ao Porto do Viamão, esta formou a terceira área da atual região de Porto Alegre, entre o arroio Cavalhada e o arroio do Salso, estabeleceu a sede da sesmaria no morro São Gonçalo com a família e alguns escravos negros e índios catequizados onde se formaria mais tarde o arraial ou vila de Belém Velho.
As figueiras plantadas em torno da casa são as mesmas que estão atualmente na Praça Nossa Senhora de Belém.
Rodrigues Mendes nunca solicitou a concessão das terras, era natural da Villa da Alvora, Comarca de Tomar, Patriarcado de Lisboa (Portugal), casou-se com Beatriz Barbosa Rangel de Guaratinguetá-SP, que faleceu em Porto Alegre em 06 de novembro de 1794, com mais de 80 anos.
Dioniso Rodrigues Mendes faleceu em Viamão em 14 de agosto de 1791.

- A zona sul de Porto Alegre possui uma forte ligação com seu desbravador Dionísio Rodrigues Mendes e a Vila dos Pescadores (atual Villa Guayba) está localizada junto ao Morro do Cristal, na Ponta do Dionísio, maciço de pedra em sua homenagem que era o porto natural da sua Estância de São Gonçalo.

Em 1736, no Brasil, o brigadeiro José da Silva Paes embarcou no Rio de Janeiro com sua frota rumo ao Sul com três missões:
- Desalojar os espanhóis de Montevidéu,
- Furar o cerco da Colônia de Sacramento,
- Fundar uma praça de guerra na Continente de São Pedro, atual Rio Grande.
Falhou na primeira, as demais são sucedidas, deu-se início a ocupação e colonização do território de Rio Grande de São Pedro.

Em 30 de março de 1736, no Brasil atual Porto Alegre, Sebastião Chaves Barcelos recebeu a concessão pelo conde de Sarzedas de suas terras requeridas em maio de 1733. A “sesmaria de São José” nos Campos de Viamão, ao lado da sesmaria de Sant’Ana, entre o rio Jacareí (arroio Dilúvio) e o arroio Cavalhada, com sede no morro São José, na atual Gruta da Glória, foi o primeiro a receber o título das terras na atual região de Porto Alegre.
Sebastião Barcelos não se casou, doou suas terras ao compadre Manuel Ávila e Souza e seus herdeiros, este era sogro de um dos filhos do sesmeiro Dionísio Rodrigues Mendes.

Em 1737, no Sul do Brasil, é fundada pela Corte Portuguesa a Comandância de São Pedro do Rio Grande (atual Rio Grande do Sul), doando sesmarias ao longo do litoral, esta denominação foi utilizada até 1760, que estava ligada desde 1710 (Província de Viamão) ao governo da Capitania de São Paulo.

Em 19 de fevereiro de 1737, no Sul do Brasil, é fundado o povoado de Rio Grande de São Pedro primeiro uma fortificação militar, na foz da Laguna Grande ou Mar de Dentro (Lagoa dos Patos), apesar de toda a adversidade da “barra diabólica”, a única porta de entrada marítima para o Continente de São Pedro, origem da primeira povoação oficial, para marcar a posição portuguesa na região e apoiar Sacramento, o início foi árduo e indeciso.

- Na verdade, em todo o Sul o povoamento demorou, a geografia prejudicou.
Para os espanhóis o sistema fluvial do rio da Prata foi uma verdadeira estrada rumo ao interior.
Para os portugueses se depararam com uma reta de 660 km, “a costa gaúcha”, traiçoeira, açoitada por ventos e sem atracadouro natural e seguro, a única alternativa era a foz do Rio Grande (Lagoa dos Patos), que também não era fácil e muito raso, movediço.
Muitas cidades em direção ao Sul foram fundadas antes, por terem portos naturais:
São Vicente (SP) em 1532,
Santos (SP) em 1545,
São Paulo (SP) em 1554,
Rio de Janeiro (RJ) em 1565,
Cananéia (SP) em 1600,
Paranaguá (PR) em 1647,
Curitiba (PR) em 1654,
São Francisco (SC) em 1658,
Desterro (Florianópolis) (SC) em 1673, 
Sacramento (Uruguai) em 1680, e
Laguna (SC) em 1684, fundada para dar sustentação às investidas rumo ao Prata.

Os primeiros núcleos povoados (cidades) dentro do Continente de São Pedro ou Tape:
Rio Grande (RS) em 1737,
Viamão (RS), em 1746,
Porto Alegre (RS) em 1752.

- Nesta época muitos moradores de Laguna, candidatam-se às sesmarias que a Coroa Portuguesa estava distribuindo nos Campos de Viamão (três destas seriam divididas no que hoje é Porto Alegre).

1740

Em 05 de novembro de 1740, na atual Porto Alegre, Jerônimo de Ornellas Meneses e Vasconcellos, recebe a posse definitiva de sua “Sesmaria de Sant’Ana” que ocupou em 1732, nos Campos de Viamão (na atual região de Porto Alegre), por despacho do capitão general da Capitania de São Paulo e Minas Gerais D. Luis Mascarenhas, em nome de Sua Majestade, dada na Villa de Goiáz.

Em 1745, no Sul do Brasil, começou a funcionar a Câmara em sua primeira sessão em Rio Grande, a primeira capital da Comandância de São Pedro do Rio Grande.

Em 1746, no Sul do Brasil, a Capela Grande iniciada em 1741, é inaugurada ao redor da qual se formaria o povoado de Viamão.
Conforme Isabelle, Arsène (1834):
“Deram este nome, porque da elevação sobre a qual está situada essa Villa, vêem-se os cinco rios que reúnem suas águas diante de Porto d’Ornellas (Porto Alegre), formando como uma mão Berta, da qual o Jacuy seria o polegar e o Jacarey (Riacho) o mindinho. Daí vem à palavra Viamão (vi a mão).”

- O primeiro morador de Viamão foi o paulista Cosme da Silveira que serviu a tropa de Silva Pais, foi o capataz na Estância Régia do Bojuru e fundador de São Nicolau do Rio Pardo. Os estancieiros dos Campos de Viamão usaram o lago do Rio Grande (Guaíba) como meio de comunicação com os povoados de Rio Grande e Rio Pardo.

Em 1746, na Europa, Portugal, o Arquipélago dos Açores estava com excesso de habitantes e o sistema de “Morgadio” (dando ao filho mais velho a terra e o nome do pai), foi alvo de providências para que a gente procurasse outras partes do Império Português.

Em 1747, em Portugal, El Rey D. João V, ouvindo o Conselho de Estado sobre o Arquipélago dos Açores e a necessidade de povoamento do Brasil, baixa Alvará (Decreto) autorizando e definindo as regras à emigração de casais açorianos das Ilhas do Atlântico no Arquipélago dos Açores para povoarem o Sul do Brasil, como eixo central a Ilha de Santa Catarina.

- O Conselho Ultramarino aprovou o transporte de casais através de Feliciano Velho Oldenberg que contratou o transporte de até 4 mil casais da Arquipélago dos Açores e da Ilha da Madeira, que deveriam ser assentados no sul do Brasil, onde receberiam terras pública, ajuda financeira, implementos e animais.

Em 17 de julho de 1747, no Brasil, por Provisão Régia o Presídio do Rio Grande de São Pedro foi elevado à categoria de “Villa de Rio Grande” na barra no sul do continente, e devia contar, então, para sua vida administrativa, com dois Juízes ordinários, três Vereadores, um procurador do Conselho, um escrivão da Câmara e um escrivão de Órfãos, que serviriam de tabeliães do público judicial e notas.
Mas a Real determinação só foi executada em 1750, pelo Ouvidor-Geral de Santa Catarina, desembargador Manoel José de Faria.

De 1748 a 1756, desembarcaram na Capitania de Santa Catarina, “vivos”, cerca de seis mil imigrantes do Arquipélago dos Açores e Ilha da Madeira, para povoarem o Brasil Meridional, que deram origem a várias povoações no litoral de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A saída dos Açores de forma clandestina, trouxeram um volume de casais, quase igual aos números de oficiais.
O costume de denominar “açoriana” a imigração procedente das ilhas atlânticas, fez-se sentido, pois foram registrados poucos madeirenses.
A distribuição dos casais foi feita de forma a criar núcleos populacionais que pudessem produzir alimentos e outros produtos comerciáveis que interessavam ao Rei de Portugal, além de contribuir com os soldados para a defesa das terras do sul do Brasil.

Em 1749, no Brasil, chegaram os primeiros casais açorianos na Capitania de Santa Catarina, na Vila de Nossa Senhora de Desterro (Florianópolis), famílias ficaram no Desterro na Ilha de Santa Catarina e outras em terra firme no continente, os demais seriam enviados as Missões (Reduções) no sul, na Capitania de Sant’Ana ou Rio Grande de São Pedro, mas a demora nos deslocamentos fazia muitas famílias se estabelecerem onde paravam, 4.500 se fixaram em Santa Catarina.
Em todos os povoados que vão parando casais açorianos vão fincando raízes.

1750

Em 1750, Portugal e Espanha pelo Tratado de Madri, determinava que cada Reino conservaria as terras que já tivesse ocupado pelo princípio do “uti possidetis” (aquilo que possuis), consegue que a região dos Sete Povos das Missões seja incorporada a seus domínios e resolve enviar colonos açorianos para povoá-la.

Em 1750, no sul do Brasil, na Capitania de Santa Catarina, era governador Manuel Escudeiro de Souza, que recebia as famílias açorianas vindos das ilhas do Arquipélago dos Açores e da Ilha da Madeira, que se dirigiam para o Sul do Brasil, no porto do Desterro (atual Florianópolis) para então distribuí-las.
Neste período desembarcaram na ilha de Santa Catarina mais de 6.000 homens, dos quais 4.000 fixaram-se no litoral catarinense, os demais foram reembarcados para a Capitania do Rio Grande de São Pedro.

Em 26 de outubro de 1750, Brasil, no Rio de Janeiro, é criado por Alvará Régio a Freguesia de São José da Terra Firme, pertencente ao Termo da Vila de Desterro (atual Florianópolis).

- O tenente Francisco Barreto Pereira Pinto foi encarregado de trazer, casais açorianos em número de 60, que se achavam aguardando na Villa do Rio Grande, na costa, vindos do Desterro em Santa Catarina, por ordem de Gomes Freire de Andrade, general das forças de operações para execução do Tratado de Madrid (1750), representante do Rei de Portugal nos trabalhos demarcatórios.

- A formação de um corpo de tropa cujo alistamento foi encarregado o coronel Cristovão Pereira de Abreu que convocou 200 homens e partiu para Castilho Grande local do início das demarcações, parte do destacamento foi para o Porto do Viamão.
Foram enviados 160 sertanejos paulistas para apoiar o trabalho de demarcação do Tratado na Capitania. Destes, 60 homens foram destacados para construir barcos junto a Lagoa de Viamão ou Rio de Viamão (Lago Guaíba).

Em 19 de outubro de 1752, chegavam ao Porto do Viamão (Porto Alegre), 60 homens comandados pelo capitão Matheus de Camargo Siqueira, que foram destacados para construir barcos junto a Lagoa de Viamão (Lago Guaíba) que levassem os Casais Açorianos as terras que deveriam ocupar na região das Missões. Destes 8 eram negros (talvez os primeiros da região).
Foi nomeado frei Faustino Antônio de Santo Alberto para servir de capelão aos casais das ilhas.


Herança Açoriana
Depois de 80 dias de viagem, e passagem por vários povoados no Brasil, os “açorianos” vindos do Arquipélago dos Açores aqui chegaram ao Porto de Viamão (Porto Alegre), na lagoa de Viamão (Guaíba) vindos principalmente das ilhas de São Jorge, Faial e Terceira, fugindo da carestia e colheitas frustradas, das mil famílias das ilhas que atravessaram o Atlântico, algumas aqui aportaram, 60 Casais Açorianos ou talvez 52, que desembarcaram da nau Nossa Senhora da Alminha no Porto de Viamão (atual Porto Alegre) na lagoa no lado norte da península, junto ao espigão no ancoradouro do Porto Dornelles (cuja variante do sobre nome, d’Ornellas, resultou no nome do Porto Dornelles) nos fundos da sesmaria de Jerônimo de Ornellas (porto natural junto à atual Praça da Alfândega).

- Os Casais Açorianos acamparam as margens da Lagoa de Viamão (Rio Guaíba), mais protegida do vento sul e a costa mais profunda o que permitia navegabilidade. Esta área compreende a Ponta das Pedras (atual volta do Gasômetro) se espalhando em direção da Praça da Quitanda (Praça da Alfândega), os casais aguardaram o fim dos conflitos entre os Guaranis e os Portugueses na região das Missões (seu destino final) para poder seguir viagem; mas acabaram ficando, aliás, ficaram duas décadas, esperando... 

- Não se tem certeza a data da chegada e se eram realmente 60 casais, mas se sabe que dias antes, a 19 de novembro de 1752, com a incumbência de construir canoas para o transporte dos “açorianos” chegaram 60 soldados.
O primeiro filho do casal açoriano Manuel Pereira Soares e Mariana da Silveira, naturais da ilha de São Jorge, existe o registro do batizado do recém nascido “Matheus” no dia 08 de dezembro de 1752.
- Logo é certo que os açorianos desembarcaram entre os dias 19 de novembro e 08 de dezembro de 1752.

- Na espera, montaram choupanas de taipa e barro, coberta de capim erguendo-se aqui e ali, na pressa do colono em construir seu abrigo, e aguardaram quase abandonados durante 20 anos.
Alguns foram embora com as tropas para o interior do Continente, e os que ficaram receberam autorização de Jerônimo de Ornellas (dono das terras) para plantar pequenas hortas em cantões de sua estância.
Outros se empregaram como artesões no reparo e construção de sumacas, fragatas, brigues e fazer canoas, junto a Ribeira, este ofício originou uma tradição que perdurou por séculos, os estaleiros na orla do Guaíba.
Ficaram acampados no trecho de uso público por ser margem de rio navegável (1/2 légua).

- Deste acampamento provisório as margens do Guaíba nas terras de Jerônimo de Ornellas, pelos açorianos que foram abandonados a própria sorte, pois nunca ganharam as terras prometidas pela Corte na região das Missões, nasce Porto Alegre, sem ato solene, sem patrono, sem fundador, apenas um ponto de espera numa viagem interrompida.

- Jerônimo de Ornellas, fundador e patrono de Porto Alegre, mesmo autorizando a permanência em suas terras dos casais açorianos, ele se irritou.

Em 23 de novembro de 1752, na atual Porto Alegre, se lê na Provisão de Gomes Freire de Andrade:
“Fico entregue de 60 pessoas que consta na lista acima, todos com suas armas e assim mais oito machados, sete facões, dois caldeirões e cinco tachos, dois surrões de bala e um dito de munição que de tudo conta como também de um barril de pólvora encapado e outro encestado o que recebi do coronel Cristovão Pereira de Abreu.”
Margem do rio de Viamão, 23 de novembro de 1752.
(Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul)

No final de 1752, é feito o primeiro relato sobre a povoação que se formava no Porto de Viamão (Porto Alegre), pelo sargento-mor Luiz Manoel de Azevedo e Cunha na expedição de Gomes Freire:
“...onde se tinha feito havia hum arrayal de cazas de palha habitadas por cazaes das ilhas.”

Entre 1752-53, no Porto dos Casais (Porto Alegre), funcionou na Praia do Arsenal o primeiro Cemitério, na Ponta das Pedras (atual Praça Brigadeiro Sampaio)

Em julho de 1754, sobre o Porto dos Casais (Porto Alegre) o coronel de engenharia e cosmógrafo Miguel Ângelo Blasco, da comitiva de Gomes Freire, registra:
“A 15 velejamos e fomos dar fundo no Arraial de Viamão (atual Porto Alegre), às quatro horas da tarde... A povoação é um arraial de casas de palha habitadas de casais da ilha e é bastante fértil”.

Em 1757, em Porto dos Casais (Porto Alegre) Jerônimo Vasconcelos Menezes de Ornellas passou a administração da propriedade ao filho Raimundo de Ornellas e mudou para Villa de Santo Amaro (Triunfo), onde morreu em 27.09.1771, um ano antes de Porto Alegre se tornar Freguesia.
Jerônimo de Ornellas não teve uma relação afetiva com o povoado, pelo contrário, detestou a criação, pois seu plano era criar a família e gado e não fundar uma cidade.
Nascido em Villa de Santa Cruz na Ilha da Madeira, casou-se em Guaratinguetá, São Paulo, com Lucrécia Leme Barbosa, com a qual teve 8  filhas, tinha mais 2 filhos homens, mas não descendentes legítimos. As oito filhas casaram os dois filhos morreram solteiros. Veio de São Paulo para Laguna, onde nasceu o quarto filho e de lá para Viamão.

- Porto dos Casais torna-se um povoado sem programação para nascer, e se transformar em Porto Alegre.

Em 1758, Jerônimo de Ornellas passou a administração da propriedade ao filho e mudou para Triunfo, onde morreu em 1771, um ano antes de Porto Alegre se tornar Freguesia.
Ornellas não teve uma relação afetiva com o povoado, pelo contrário, detestou a criação, pois seu plano era criar a família e gado e não fundar uma cidade.

- Devido aos vários conflitos de interesse entre os guaranis, portugueses, açorianos, Igreja e os espanhóis que invadiram o Rio Grande, causando grande retirada das populações para a Villa de Viamão.

Em 1759, no Sul do Brasil, o comandante Gomes Freire, para agradar os Guaranis que haviam se passado para o lado português, assentou-os na Aldeia de Nossa Senhora dos Anjos (atual Gravataí), São Nicolau do Rio Pardo e São João da Cachoeira, e, para os açorianos aportados no Porto do Viamão (Porto Alegre), onde aguardavam, nada foi dado.

- As “famílias açorianas”, abandonados a própria sorte, mesmo depois de encerrado o conflito nas Missões, então se revoltaram com todos, - o clima ficou tenso, entre muitas brigas, o filho de “Jerônimo de Ornellas”, Raimundo de Ornellas, matou o açoriano acampado em suas terras Antônio Castel Branco, e fugiu para São Paulo.

1760

Em 14 de novembro de 1762, no Porto dos Casais (Porto Alegre), Jerônimo de Ornellas recebe proposta de compra de suas terras da sesmaria de Sant’Ana de Ignácio Francisco de Melo, um jovem açoriano, solteiro, por 800$000 mil réis, que após a compra fez novos acordos com os “Casais Açorianos” hospedados em suas terras.

Em 24 de abril de 1763, no sul do Brasil, com a “Invasão Espanhola” comandada pelo futuro 1º Vice-Rei do Rio da Prata. D. Pedro de Zeballos Cortez y Calderon, sobre a Villa do Rio Grande, assim o Porto dos Casais (Porto Alegre) e a Capela Grande de Viamão receberam a maioria da população em fuga, conhecida como a Corrida do Rio Grande.

- De Rio Grande D. Pedro Cevallos levou 140 famílias, totalizando 603 “açorianos” como prisioneiros para estabelecê-los no Uruguai, onde deram origem à povoação de San Carlos (próxima a Maldonado).

Em 12 de maio de 1763, no sul do Brasil, o governo da Capitania de São Pedro se instala na Villa de Viamão, por ser um ponto mais central, onde permaneceria até 25 de julho de 1773.

- Ignácio Francisco de Melo, o novo proprietário da sesmaria de Sant’Ana (dentro da área de Porto Alegre), nascido na ilha de Santa Maria (1733), batizado na Matriz da Villa do Porto, no Arquipélago dos Açores, casado com Rosa Inácia em 25 de novembro de 1772 em Triunfo, teve 10 filhos, 4 varões e 6 moças nascidos na Fazenda do Arroio dos Ratos e batizados em Triunfo, tiveram 42 netos. Faleceu na sua casa em Porto Alegre em 05 de novembro de 1811, casa que tinha na Rua da Praia perto do arsenal de guerra, que construiu em 1795, foi sepultado no Cemitério da Matriz.

- O povoado do Porto dos Açorianos ou Porto do Viamão (Porto Alegre) já era conhecido, pela construção de barcos, seu largo já estava transformado em um mercado de escambo, com o nome de “Quitanda”.

Em 1767, no Sul do Brasil, depois de uma grande derrota para os espanhóis na Villa de Rio Grande, devido à trapalhada do comandante José Marcelino de Figueiredo, que violou o Tratado de Paris (1763), a Espanha protestou – o ministro da Corte em Lisboa, Marquês do Pombal (num jogo de cena típico da tradição política luso-brasileira), demitiu sumariamente:
- O Vice-Rei do Brasil, Dom Antonio Álvares da Cunha, o conde Cunha,
- O governador da Capitania José Custódio de Sá e Farias e o
- Coronel José Marcellino de Figueiredo, que mostra sua influência junto a Corte em Lisboa, que no final da trapalhada feita por ele, ganhou o cargo de governador no lugar exatamente de Custódio de Sá.

Em 10 de janeiro de 1768, no Sul do Brasil, em carta ao vice-rei, José Custódio de Sá e Faria, manifesta pela primeira vez, a idéia de erigir um povoado no Porto dos Casais (Porto Alegre):
 “Pois quando mais povoada estiver, haverá mais meios para à defender”.

Em 09 de março de 1769, no Sul do Brasil, o comandante José Marcellino de Figueiredo, com apenas 34 anos é nomeado governador da Capitania de São Pedro (nome real dom Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda) a situação dos açorianos era a mesma, não haviam ganho nenhum palmo de terra, mas o povoado se desenvolvia.
Com Rio Grande nas mãos dos espanhóis o Porto dos Casais ou Porto do Mar de Dentro (Lagoa dos Patos), torna-se o único acesso aos povoados e fortificações do Jacuí.
José Marcellino de Figueiredo sabia da posição estratégica do Porto dos Casais. Nesse sentido, encaminhou ao novo vice-rei, Marquês de Lavradio, no Rio de Janeiro, um pedido para criar um núcleo de colonizadores no sítio do Dorneles, nele seria instalado a sede do governo, da Câmara e da provedoria da Fazenda Real. Nesta época já existiam, os casais açorianos, as lavouras, aquartelamento e armazéns.
Mas o vice-rei só concordou com a instalação dos colonizadores.
Os açorianos se aliaram a Marcelino para se separarem da Vila de Viamão, um dos motivos alegados era a falta de capela, embrião pelo qual, povoados e vilas começavam.
Nesta época a situação era confusa em Porto dos Casais, os açorianos do Porto clamavam pela terra prometida pelo rei em 1746:
- José Marcellino de Figueiredo se movia para transformar o lugar em área militar para poder atacar os espanhóis em Rio Grande,
- Os Políticos e a Igreja faziam de tudo para continuarem em Viamão, longe da guerra e mais perto de Laguna (Santa Catarina) em caso de fuga.

Em 23 de abril de 1769, em Viamão, assume o governo da Capitania de São Pedro o Coronel José Marcellino Figueiredo, após muita relutância do governador demitido José Custódio de Sá e Farias, para compensar Farias foi promovido a brigadeiro.

Em 1769, é erguida a primeira Capela no Porto do Dorneles ou Porto dos Casais (Porto Alegre), por padres Franciscanos de Viamão, capital da Capitania, em invocação a São Francisco das Chagas do Porto dos Casais, no local da atual Caixa Econômica Federal no Largo da Quitanda (Praça da Alfândega), o povoado é elevado à categoria de “Capela” (Freguesia).
O porto de São Francisco dos Casais desempenhou sua missão geográfica, ponto de passagem para as demais partes do Rio Grande.

1770

Em 13 de maio de 1770, no Porto dos Casais (Porto Alegre) é realizado o primeiro batizado de quatro crianças na Capela de São Francisco das Chagas do Porto dos Casais, celebrada pelo pároco de Viamão.

Mas em 08 de outubro de 1771, os artesões do maior estaleiro do Guaíba realizam um grande feito, lançaram n’água a fragata São José e Belona. Era o primeiro grande barco totalmente feito aqui. O Porto dos Casais fez uma grande solenidade, desceram todas as autoridades de Viamão. José Marcellino Figueiredo vai embora, chamado pelo vice-rei ao Rio de Janeiro.

- José Marcellino de Figueiredo vai embora, chamado pelo Vice-Rei ao Rio de Janeiro.

Em 25 de outubro de 1771, assume outro governador o Tenente-coronel Antonio da Veiga Andrade.

No dia 26 de março de 1772, no Porto dos Casais (Porto Alegre), a primeira boa notícia que os casais açorianos receberam em 20 anos acampados a margem do Guaíba foi que Dom Antonio do Desterro, do bispado do Rio de Janeiro, havia assinado pastoral, transformando o povoado do Porto dos Casais (Porto Alegre) em Freguesia (Capela) de São Francisco das Chagas do Porto dos Casais, desmembrada da Villa de Viamão.

Freguesia
- Era uma divisão territorial que tinha como sede um povoado com uma igreja matriz e diversas capelas disseminadas em sua área geográfica.
A igreja matriz registrava os batismos, casamentos e óbitos.

- Agora o povoado começaria a solucionar seus problemas, haveria a instalação de serviços públicos e sonhar com a denominação de “Villa”. Mas o principal era resolver a questão da posse da terra.

- Nomeação do primeiro vigário da nova Freguesia do Porto dos Casais (Porto Alegre) o padre José Gomes de Faria.

Em 22 de maio de 1772, com a posse do Padre José Gomes de Faria, a Capela de São Francisco das Chagas do Porto dos Casais virou sede de freguesia sem nunca ter sido curada (sem ter padre fixo).

Á 12 de julho de 1772, no Porto dos Casais (Porto Alegre), o governador Veiga Andrade recebe ordens para iniciar o processo de desapropriação da sesmaria de Ignácio Francisco de Melo (proprietário atual da antiga sesmaria de Jerônimo de Ornellas) e demarcar os lotes de terra para os casais açorianos, reservando área para a futura sede da Freguesia.

Em 1º de agosto de 1772, no Porto dos Casais (Porto Alegre) é iniciada a distribuição de terras através de certificados pelo Capitão-engenheiro Alexandre José Montanha aos Casais Açorianos e aos demais interessados.

- Foi reservado um terreno localizado no topo do espigão existente na península do Porto, mais precisamente tomando como centro os Altos da Praia (Praça da Matriz) destinado no traço da nova freguesia, suas primeiras ruas e igrejas. Com comprimento sentido norte-sul 730,5 braças e largura no sentido leste-oeste 400 braças, tomando a braça como sendo 2,20 metros, teremos 1.607 x 880 m. Essas medidas formariam um triângulo que abrange 141,5 hectares.

Em 1773, em Porto Alegre, já existiam registros de concessões de terras nestes locais das ilhas do arquipélago do Guaíba, incluindo a Ilha da Pintada (origem dos fundadores da Vila dos Pescadores).

- A Ilha da Pintada teve como primeiros povoadores, pessoas excluídas das grandes estâncias doadas pela Coroa Portuguesa, entre estas pessoas estavam lavradores, índios, desertores do exército, açorianos e negros forros.

Em 18 de janeiro de 1773, no Brasil, o bispo Dom Antônio do Desterro, bispo do Rio de Janeiro, substitui a invocação de São Francisco do Porto dos Casais pela de Nossa Senhora Madre de Deus de Porto Alegre, elevando o povoado à categoria de Paróquia, assim muda para Freguesia Nossa Senhora Madre de Deus de Porto Alegre.

- José Marcellino de Figueiredo no Rio de Janeiro continuava com a idéia de transformar o Porto dos Casais em Villa e Capital, foi ele que convenceu o Bispo e o Vice-Rei Marquês de Lavrádio, da importância estratégica e militar do povoado

- José Marcellino de Figueiredo no Rio de Janeiro continuava com a idéia de transformar o Porto dos Casais em vila e capital, foi ele que convenceu o bispo e o vice-rei, Marquês de Lavradio, que a 12 de julho de 1773, o governador Veiga Andrade recebe ordens para iniciar o processo de desapropriação da sesmaria de Ignácio Francisco de Melo e demarcar os lotes de terra para os casais açorianos, reservando área para a futura sede da freguesia.
O antigo governador Marcellino já havia deixado instruções para o Capitão-engenheiro José Alexandre Montanha para preparar a demarcação dos lotes e avaliar as benfeitorias da sesmaria de Ignácio Francisco de Melo.
O Capitão Montanha demarcou terras para os casais em número, e para outros que se candidatassem e também marinheiros a serviço de Sua Majestade.

Em 11 de julho de 1773, José Marcellino de Figueiredo retorna como governador da Capitania, dias depois envia ofício a Câmara em Viamão.

Em 25 de julho de 1773, de Porto Alegre José Marcellino de Figueiredo envia Ofício a Câmara no Arraial do Viamão, informando os Senhores juízes ordinários e mais offecciais da Câmara deste Continente do Rio Grande, a mudança da capital para Porto Alegre.
O documento começava assim:
Participo a Vossas Mercês haver mudado a minha residência com a Provedoria para este porto”.
E, logo adiante, ordenava que os juízes ordinários da Câmara de Viamão também se mudassem para o porto.
Neste que foi o primeiro documento oficial da Freguesia de Nossa Senhora Madre de Deus de Porto Alegre, com um pouco mais de um ano era elevada a capital.
Houve resistência dos membros da câmara, um mês, Marcellino de Figueiredo mandou prender, acabaram cedendo.

Em 08 de agosto de 1773, Ignácio Francisco de Mello foi indenizado e começou a distribuição de terras, mas nem todos compareceram para pegar o certificado e uma nova data foi em 07 de novembro, com o prazo de um mês para requerer a terra.
O primeiro açoriano a receber o título foi Antão Pereira, faleceu logo depois, mas por estes que fincaram pé e não se deixaram abater, fortaleceram e o povoado prosperou.

- O Capitão Montanha demarcou uma área de 141,5 hectares, limitadas pelas atuais ruas (ao sul pela Demétrio Ribeiro e ao leste pela Marechal Floriano), diante da vitória sobre Viamão os moradores ajudavam o Capitão Montanha que subia e descia o espigão (morro) central da península para demarcar a praça no lugar conhecido como Alto da Praia, onde estava também o cemitério, ali foi lançada a pedra fundamental da matriz Nossa Senhora Madre de Deus, substituindo a capela São Francisco das Chagas na Rua da Praia.
Paralelo a Rua da Praia foi aberta a Rua do Cotovelo (Riachuelo), próximo onde haviam moradores graduados como do Fisco, por último surgiu a Rua Formosa (Duque de Caxias). Esta foi à primeira organização do espaço urbano, três ruas paralelas projetadas que ainda hoje estão no coração de Porto Alegre.

Em 29 de agosto de 1773, é realizada a última sessão da Câmara na Villa de Viamão, onde a última ata, o Termo de Vereança lavrado em Viamão conta com toda a clareza a intimação para mudança da capital que determinava a transferência da Câmara para o Porto, devido à ordem do Governador.

- A Câmara se mudava para a Villa de Porto Alegre, a terceira capital da Capitania de São Pedro:
- Rio Grande (até 1763)
Em 11 de fevereiro de 1737, José da Silva Paes, em seu retorno da Colônia de Sacramento, atravessou a barra e levantou o chamado Presídio Jesus-Maria-José, embrião da Freguesia de São Pedro do Rio Grande.
- Viamão (1763-1773)
Em 1741, começou a ser erguida uma pequena capela em terras doadas por um estancieiro. Inaugurada em 1746 e elevada a paróquia em 1747, a Capela Grande começou a reunir em volta as casas de estancieiros e lagunistas.
Viamão começava a surgir. Ainda em 1747 foi elevada a categoria de Freguesia.
- Porto Alegre (de 1773 em diante)
O Porto foi à capital da Capitania, Província e Estado, com a exceção de um período durante a Revolução Farroupilha, que a capital voltou a Rio Grande.

Em 06 de setembro de 1773, em Porto Alegre, o poder civil foi instalado quando promoveu a primeira sessão solene da Câmara.
Os primeiros sinais de prosperidade fincam raiz na Freguesia.

Em 1774, chega a Porto Alegre o projeto arquitetônico da Igreja Matriz do Porto, em devoção a Nossa Senhora Madre de Deus, em estilo barroco, com um corpo de três aberturas ladeado de dois campanários, o projeto veio pronto do bispado do Rio de Janeiro.

Em 1774, em Porto Alegre viviam pouco mais de 1.500 pessoas.

Em 1776, Porto Alegre se transformaria em um formigueiro, 7.000 soldados circulavam entre a sede do Governo e a Laguna dos Patos, este contingente enviado pelo Marquês de Lavradio, para expulsar os espanhóis de Rio Grande, aqui se formou o “primeiro exército luso-brasileiro”, com soldados de todas as Capitanias.
Acamparam na Quitanda (atual Praça da Alfândega), onde não havia mais lugar, era tanta gente que o próprio governador José Marcellino de Figueiredo reclamou dos gastos com os soldados:
- “Come muito. Dão muita despesa”.

Em 07 de abril de 1776, em Porto Alegre, com suas ações planejadas pelo governador José Marcellino de Figueiredo e Bohm, a “Villa de Rio Grande” no sul da Capitania foi retomada dos espanhóis, assim como a margem direita da Lagoa Mirim e o Canal de São Gonçalo, esta foi à “maior operação bélica do Brasil Colônia”, executada pelo primeiro exército luso-brasileiro até então formado.

- Com a Paz, a rotina voltou a Freguesia de Porto Alegre.

Em 1777, em Porto Alegre é construída a primeira ponte da Azenha sobre o Rio Jacarey (Riacho, Arroio Dilúvio), em madeira, ligando as áreas mais ao sul, a ponte junto ao Paço do Chico da Azenha, para se chegar até a Villa de Viamão.

Porto Alegre Acrópole Militar
A fortificação começou em 1773 e terminou em 1778, não foi por acaso que os poderes da Freguesia de Porto Alegre foram instalados na parte mais alta do espigão na península, em uma Acrópole, como na Grécia antiga.
Da mesma maneira que a Colônia de Sacramento (no Uruguai), Porto Alegre nasceu com o objetivo Militar e Fortificada, seguindo as peculiaridades do terreno por ser mais econômico.
A entrada dessa zona fortificada, ou melhor, o “Portão” era o único lugar, por terra, permitido passar para entrar ou sair da cidade.
O chaveiro, encarregado de abrir e fechar o portão foi Laureano José Dias, ele morava nos fundos e uma das casas do Largo do Portão, no alto do espigão na antiga Praça do Portão (ao lado da atual Praça Conde de Porto Alegre), a guarda vigia a entrada do portão; é rígido o toque de recolher, é necessário pedido de licença para entrar na Freguesia do Pôrto (Porto Alegre).
A prática desse belicoso período colonial era erguer as cidades em penínsulas, para facilitar as manobras de defesa.

Em 02 de setembro de 1778, é instaurada em Porto Alegre a primeira Escola Pública, no governo de José Marcellino de Figueiredo, sob direção do professor Manoel Simões Xavier, um baiano pardo.
A escola estava autorizada a ensinar “meninos” a ler, escrever e contar num período de seis anos.

1780

Até 1780, em Porto Alegre, a única alternativa à retirada de água diretamente do Guaíba era uma fonte na esquina das atuais Ruas Avaí e João Pessoa, aliás, em péssimo estado. Naquele ano, além de ordenar o seu conserto, a Câmara decidiu pela construção de outra, mais próxima da maioria da população (onde é hoje o cruzamento da atual Avenida Borges de Medeiros com a Rua Jerônimo Coelho), sendo que esta passou a ser conhecida, na época por Rua do Poço.
Uma terceira fonte seria construída na zona central, no mesmo ano, em terreno de particulares, mas com acesso.
A construção do poço (na atual Rua Jerônimo Coelho) não foi pacífica. Por discordar do projeto, o genioso governador José Marcellino de Figueiredo mandou modificar a obra e depois de discutir com o procurador da Câmara, Manuel Cardinal, colocou-o na prisão por duas semanas. Não seria para tanto. Tratava-se de uma estrutura simples, embora tivesse uma abóboda de madeira.

- A administração começa a dedicar melhorias no povoado de Porto Alegre, as principais edificações começaram a serem erguidas ao redor nos Altos da Praia (Praça da Matriz), como o Palácio do Governo, a Câmara e a Igreja Matriz Nossa Senhora Madre de Deus, em 1780.
Como pano de fundo dos primeiros prédios públicos foi sendo construído um sem número de pequenas residências como eram encontradas por todo o Império: - exprimidas umas contra as outras sem terrenos de vinte ou trinta palmos (4,40 e 5,50m) de largura. Em planta baixa tinham uma sala na frente e outra que servia de copa e cozinha nos fundos. Um estreito corredor ligava as duas e passava ao longo de algumas alcovas (quatros) sem iluminação e ventilação naturais. No fundo havia um pequeno pátio murado onde eram feito serviços domésticos e onde ficava a senzala. Sim, porque a maioria das casas era tocada por mão de obra escrava.
As fachadas destas casas eram muito simples: uma porta e uma janela ou duas janelas encimadas por um pronunciado beiral com uma cimalha caprichosa que servia de proteção das chuvas para as paredes e transeuntes.

Nas Terras da Villa Guayba
Em 1785, em Porto Alegre o sesmeiro Dionísio Rodrigues Mendes, possuía 300 cabeças de gado, 12 cavalos, e 25 potros. Morava ele, com os filhos, alguns genros, todos vivendo da lavoura e da criação.
Suas terras incluíam os atuais as localidades: - Vila Assunção, Vila Conceição, Pedra Redonda, Cavalhada, Tristeza, parte de Ipanema, Vila Nova e Belém Velho.
Um pequeno promontório do Guaíba é chamado até hoje de Ponta do Dionísio, pois ali ficava o porto natural de sua estância.

Em 21 de julho de 1789, em Porto Alegre, é organizado o Serviço de Correio, em prédio construído para esta finalidade nas esquinas da Rua da Graça (Rua dos Andradas) com Rua de Bragança (Rua Marechal Floriano).

1790

Em 1790, em Porto Alegre, foi construída uma ponte de madeira por sobre o córrego que descia do espigão nos Altos da Praia (Praça da Matriz) na Rua da Graça (nome da Rua da Praia a leste da Ladeira), e na Rua do Cotovelo (atual Riachuelo), que por isso passou a ser chamar Rua da Ponte.

- Os terrenos próximos ao Guaíba eram arenosos e alagadiços, e vários córregos desciam da Rua Formosa (atual Duque de Caxias) para os dois lados, água jorrava entre as pedras no local do atual Theatro São Pedro e a água seguia em direção a Rua Direita (General Câmara), no século XIX foi canalizado.

- Durante o mandato do governador Sebastião Veiga Cabral (1780-1801), surgiu os primeiros sinais de preocupação com o “embelezamento da cidade e a limpeza das ruas”.

Em 1790, em Porto Alegre, é concluído o prédio do Fisco conhecida como “Casa da Junta” em Porto Alegre, prédio em estilo colonial, de um piso, iniciado no governo do comandante José Marcellino de Figueiredo, pelo Capitão-engenheiro Alexandre José Montanha, seu projeto foi elaborado junto com antigo Palácio do Governo. 
Em 1860, ganhou o seu segundo piso onde funcionou a Junta de Administração e Arrecadação da Fazenda Real.
Entre 1835 a 1967, abrigou o Conselho Administrativo, depois a Assembléia Legislativa.
A Casa da Junta é a única edificação em pé do início de Porto Alegre no século XVIII.

Em 02 de fevereiro de 1790, em Porto Alegre, é fundada a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição, que congregavam os pardos.

Nas Terras da Villa Guayba
Em 1794, a zona compreendida pela Ponta do Dionysio, junto ao Morro do Cristal, na antiga sesmaria agora de propriedade de José Guimarães Tristeza (cujo sobrenome nome saiu à denominação do atual “Bairro Tristeza”), já era uma lavoura próspera (através da mão de obra escrava), mas com dificuldade de locomoção, devido aos precários caminhos para se chegar ao centro da Freguesia para comercializar as mercadorias era utilizado o rio Guaíba como rota e o porto natural na Ponta do Dionysio como principal escoadouro da estância.
(conforme planta incompleta da Cidade de Porto Alegre C.F.E.P., compilada e desenhada por F. Bellanca, 1932)

- Nesta época se estabeleceram 2 “charqueadas” na Freguesia de Porto Alegre:
- Morro do Cristal, na zona sul da freguesia,
- Ponta do Dionísio, na antiga sesmaria então de propriedade de José Guimarães Tristeza.

Em 1794, a produção de trigo junto às várzeas de Porto Alegre cresceu tanto que começou a exportar, plantava-se por todas as direções.

Em 22 de março de 1794, em Porto Alegre, por Ato da Câmara, no perímetro urbano, obriga os proprietários a “lajear a frente das casas”, as calçadas.

Em 1798, em Porto Alegre, o número de habitantes saltava para 3.000 pessoas, nesta data foi oficializada a figura do capitão-do-mato, o caçador de escravos fujões.
Ao tempo a Câmara autorizou a marcação desses fugitivos a ferro em brasa.

- O trabalho escravo contribuía e muito para essa expansão comercial e das lavouras, ode este era utilizado para todos os afazeres, até a comercialização das mercadorias.

- O Negro era o sonho de consumo da época, saia caro, mas era lucrativo.

- Até o final do século XVIII, a zona urbana de Porto Alegre permanecia restrita a península, demarcada pelo capitão Montanha, com as ruas:
- Rua da Praia (junto à margem),
- Rua do Cotovelo (Riachuelo),
- Rua Formosa (Duque de Caxias).
Em torno do espigão havia uma verdadeira zona rural de pequenas propriedades, as ligações por terra eram difíceis havia apenas três caminhos principais:
- O Caminho da Azenha, que ligava a Viamão (pelos Caminhos da Várzea, Azenha e Estrada do Mato Grosso),
- O Caminho do Meio, também a Viamão (pelas atuais Avenidas Osvaldo Aranha e Protásio Alves),
- Estrada dos Moinhos (atual Independência), sobre o espigão, que levava a Aldeia dos Anjos (atual Gravataí).

- Viamão e a Aldeia dos Anjos (Gravataí), foram os primeiros povoados que no século XX passariam a pertencer a Região Metropolitana de Porto Alegre, agora como cidades.

Em 1799, em Porto Alegre, a Rua da Praia ganhou seu primeiro calçamento com pedras irregulares, valorizando ainda mais os terrenos, que na virada do século já bem caros (de 200 a 400 réis).